02
Segunda e terça
Diagnóstico rápido
de uma semana
Os dois primeiros dias do sprint. Não é auditoria da empresa, não é mapeamento de fluxo inteiro: é entender um processo específico fundo o bastante para escrevê-lo na quarta.
Segunda: olhar sem perguntar
O consultor chega no horário em que o processo começa e acompanha do início ao fim, em silêncio. Não faz pergunta, não sugere, não interrompe. Anota a sequência, os sistemas abertos, quem é chamado no meio do caminho e — principalmente — onde a pessoa para para pensar.
Cada pausa dessas é um ponto de decisão não documentado. É o material mais valioso do dia e é justamente o que se perde quando o levantamento começa por entrevista.
Se o processo roda várias vezes ao dia, acompanhamos duas ou três execuções. Se roda uma vez por semana, a agenda do sprint é montada em torno dela.
Terça: perguntar sobre o que foi visto
A entrevista dura cerca de uma hora e é toda construída em cima das anotações da véspera. Nada de "me explica seu processo" — a pergunta é sempre específica: "ontem, depois de conferir a nota, você abriu outra tela antes de lançar. O que você foi ver ali?"
Perguntas desse tipo destravam as exceções. A pessoa não esconde nada: ela simplesmente não considera aquilo digno de menção, porque virou automático anos atrás.
Ao fim da terça existe um esqueleto: sequência, decisões, exceções conhecidas e as três ou quatro dúvidas que ficarão para confirmar durante a redação.
O que fica de fora de propósito
Três coisas que o diagnóstico não faz
01
Não avalia a equipe
Nenhum relatório sobre quem trabalha melhor ou pior. Sem essa garantia, ninguém mostra como o trabalho é feito de verdade — e o sprint inteiro depende disso.
02
Não propõe melhoria
Documentamos o processo como ele é. Se algo salta aos olhos, dizemos em conversa — mas não vira recomendação escrita nem etapa nova do sprint.
03
Não olha o resto da empresa
Um processo, escolhido antes de começar. Ampliar o olhar é o caminho mais rápido para transformar cinco dias em três meses.

Como escolher o processo certo
A escolha acontece na conversa antes de reservar a semana, e o critério é simples: qual tarefa causa mais estrago se a pessoa que a executa faltar por duas semanas.
Quando existem duas candidatas empatadas, ganha a que tem execução mais frequente — porque o teste de quinta-feira precisa acontecer com o processo rodando de verdade.
Dois dias para entender, três para entregar
A semana toda cabe entre duas urgências. Diga qual processo e a gente confirma se cabe.